espetáculo satélite

POR UM FIO (espetáculo satélite p/ espaço publico)

Um espetáculo vanguardista interdisciplinar, atemporal que visa explorar novas perspectivas nas relações humanas.

O que nos une em relação ao outro?
Será que na nossa sociedade fragmentada e individualista é ainda possível criar espaços comuns?
Quais são os limites contemporâneos da empatia humana?

Todos nós somos cada vez mais do que vemos e não de onde vimos. Somos onde estamos e não onde vamos.

“A que distância é possível estar junto, hoje?”

Gradualmente está a desaparecer o aqui, o agora, o real, a relação.
Tudo isto tem gerado um aumento da complexidade das relações interpessoais. Desapareceu a comunicação e a partilha. Aquilo que nos afasta de um tempo que é o nosso afasta-nos também daqueles com quem o partilhamos. Desapareceu a partilha próxima para dar origem a uma partilha superficial e não real. A partilha com o mundo de algo que não somos, que tentamos ser. Daquilo que não sentimos mas esperamos sentir ou esperamos transmitir como verdade.

Toda a relação exige a existência do presente, mais do que isso, depende disso.

Propomo-nos assim a rever a ideia associada à palavra “relação” pela sociedade actual. Falemos sobre o presente, sobre a presença, sobre o momento em que nos encontramos e sobre como apenas ele tem total influência no momento que se segue. Através de um espetáculo de circo, dois intérpretes utilizam a acrobacia aérea como técnica para procurarem continuamente o equilíbrio entre dois corpos, usando uma corda com duas pontas soltas a 7 metros de altura.

Partimos da ideia desta linha mutável que nos divide e que nos une. Desta corda que a enforca a necessidade de algo mais que uma simples conexão. Dependemos desta conexão, desta corda que nos suspende e que nos prende. Que nos amarra, mas nos segura.
O uso dos elementos cenográficos influencia as relações entre os dois interpretes, assim como estes transformam também a cenografia em si, sendo esta impermanente e inconstante, alterando a percepção do espectador sobre os corpos em cena.

Este projecto nasce de uma vontade de voar, de re-acreditar, de cuidar e de dar.

Trabalhamos na estética do vazio, do inarrável na imagem, e esta ausência é precisamente o lugar do espectador, pretendemos acima de tudo apelar ao sentimento, á emoção, ao altruísmo.
Os artistas criadores não têm medo de tomar riscos e assumir plenamente a responsabilidade da sua imprudência artística e da sua prática indisciplinada.

Ficha Artística

concepção e co-criação: DANIEL SEABRA e MARGARIDA MONTENY | design Sonoro: Tundra Fault (MIGUEL DE) | produção executiva: Companhia Erva Daninha | apoio à Residência: Chapitô e Companhia Erva Daninha